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15 de Maio, Dia do Assistente Social.



"Assistente Social é uma moça boazinha que o governo paga pra ter dó dos pobres." A piada é antiga, e perdeu a graça, já. Aliás, pra mim ela nunca teve graça. Nunca me achei boazinha, e tenho dó, mas não dos pobres, e sim das relações desiguais que fabrica pobres e miseráveis aos montes. E essa visão de Serviço Social encontra justificativa não apenas na origem da profissão, com as primeiras senhoras da caridade, mas também pelos princípios que norteiam a sua prática, no compromisso profissional de luta contra qualquer forma de desigualdade ou de violência, e na busca constante da garantia dos direitos sociais e da dignidade humana. Compromisso que exige do profissional um grau de consciência que vai além do apiedar-se dos injustiçados, mas passa, obrigatoriamente, pelo conhecimento e aplicação eficaz do projeto ético e político da profissão.

São princípios do Serviço Social:
O reconhecimento da liberdade como valor ético central, a defesa dos direitos humanos, a democracia como valor universal, a equidade e a justiça social, o pluralismo e o direito à diferença, o combate a todas as manifestações de discriminação e preconceito, a busca da inserção social de todos os indivíduos e o compromisso com a qualidade dos serviços prestados à população.

Em um mundo globalizado e cada vez mais tecnológico, que a cada dia mais fragiliza as relações entre as pessoas, a prática do Serviço Social se aprsenta como um desafio constante e sempre crescente, na medida em que, pela própria natureza da profissão, lida frequentemente com o lado mais perverso da vida. Talvez por isso, e pelo fato de muitas pessoas ainda desconhecerem o significado do trabalho social, ainda exista uma grande parcela da população que confunde assistencialismo com assistência, chegando mesmo a acreditar que assistente social é sinônimo de bondade; o que, é óbvio, passa longe da verdade. Confunde-se, inclusive, Serviço Social - que é profissão, com Assistência Social - que é Política Pública. E é na esfera das políticas públicas, em especial as políticas sociais, que se dá o embate do profissional de serviço social com as forças históricas contraditórias que dão origem a essas políticas, sendo ele, assistente social, agente implementador dessas políticas, e usuário delas, na condição de trabalhador assalariado. No âmbito dessas contradições o serviço social evoluiu, ao longo de sua história, firmando-se como profissão de caráter interventivo, o que exige do profissional uma definição pessoal no plano político, diante das questões que se lhe apresentam no dia a dia. Essa definição é que irá nortear sua prática profissional, fazendo com que se decida sobre o rumo que dará às suas ações, sempre pautadas em valores éticos claramente explicitados no Código de Ética Profissional dos Assistentes Sociais. Além disso, a ele cabe um privilégio todo especial no mercado de trabalho: produzir um conhecimento específico da realidade social de classes menos favorecidas, a partir de sua própria interveção nessa realidade. O que acaba por exigir, em contrapartida, que ele tenha sempre em mente a necessidade de se atualizar, reciclar seus conhecimentos teóricos, que fundamentarão, consequentemente, novas formas de intervenção.

Comentários

  1. parabéns pelo seu dia de ontem e principalmente pela profissional que você é e a seriedade com que o vive. Sabe que eu sou tua fã, né? Por quando crescer, além de querer continuar sendo criança quero ser como você!!!! Te amo mãe...

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