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Uma história de assalto.


Creio que todos conhecem aquela história da freirinha que viajava em um ônibus e deu um leve cochilo, levíssimo, coisa de segundos. Ela evitava até mesmo se distrair nessas viagens, por medo de ser roubada. Dessa vez ela cochilou. Acordou assustada, olhando prum lado e pro outro, analisando os semblantes de todos à sua volta, e achando, se não todos, mas pelo menos uma boa parte daquelas pessoas, muito suspeitas. Baixou os olhos para seu próprio braço e se deu conta de que lhe faltava o relógio... Ah, não, pensou ela, me roubaram, enquanto eu dormia o relógio que ganhei no meu último aniversário. Olhou de soslaio para o homem jovem sentado do seu lado direito, moreno, cabelo encaracolado, olhar estranho, e, ato contínuo, olhou e viu o SEU relógio no braço do rapaz”. Começou a tremer, de medo e de raiva, pela audácia do ladrão. Sem pensar duas vezes abriu a própria bolsa, dela retirando uma comprida e perigosa agulha de tricô, e, discretamente, sem querer chamar a atenção dos outros passageiros, encostou a ponta da agulha na costela do homem, enquanto cochichava em seu ouvido, separando bem as sílabas para não deixar dúvidas: “ti-re o re-ló-gio do bra-ço, po-nha den-tro da mi-nha bo-lsa, e dê si-nal pa-ra des-cer na pró-xi-ma pa-ra-da.” O rapaz obedeceu prontamente, quase caindo na pressa em descer. Ela, a freira, aliviada e se sentindo uma heroína, orgulhosa da própria coragem, estufou o peito encarando todos ao seu redor, e deu sinal para descer duas paradas depois do seu ladrão de relógio. Quando chegou ao convento onde morava, preparou-se para narrar o seu feito, e, ao abrir a bolsa, deparou-se com DOIS relógios iguais: o seu, que tirara do pulso antes de entrar no ônibus por medo de ser assaltada, e o do pobre rapaz, a quem ela acabara assaltando armada de suas agulhas de tricô. Enquanto isso, o jovem chegava ao trabalho esbaforido, com dificuldades de convencer os colegas de que fora assaltado dentro do ônibus por uma freira  

Comentários

  1. Que o texto sirva de lição pra muita gente que gosta de julgar logo de cara. Julgar pertence somente à Deus meu povo!!!
    História super interessante
    Adorei ;)

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