Pular para o conteúdo principal

Buscando uma Identidade.

Nem é certeza que seu nome seja mesmo Francisco Sales Caetano,mas é assim que ele diz que se chama.Fora isso,pouca coisa se aproveita,como informação,do que ele diz durante a entrevista.Não sabe a idade, que “está nos papel que se perdeu”,mas quando chegou,há uns dois anos,disse ter 76 anos.O que pode ser certo,a aparência é de mais ou menos isso mesmo.Magro,mirrado,sem camisa,me recebe com um riso estranho no rosto,e assim permanece durante todo o tempo da visita.“Nasceu em que lugar, seu Francisco?”“Massapê”,é a resposta,que demora um pouco a vir;talvez procurando na memória o lugar em que nasceu,ou talvez procurando mesmo o jeito de falar,quem sabe? Que foi casado,sim,mas a mulher já morreu,faz tempo.Filhos?Sim,duas meninas,com esforço repete os nomes das duas:Daniele e Mocinha.Que uma delas recebe a sua aposentadoria,não sabe qual das duas.Nem em que elas trabalham ou onde vivem.Não lembra como chegou ali,conta uma mirabolante história de que veio num carro do governo para trabalhar na estrada,desceu do carro e os outros não esperaram.Mirabolante, eu disse?Ora, bem que poderia ser verdadeira,ou talvez faça parte de uma experiência vivida anteriormente,quando mais jovem.Não dá pra saber.O que se sabe,de fato,é que ele apareceu no primeiro dia do ano de 2009,logo depois do meio dia,e chamou a atenção de dona Eliane pelas idas e vindas diante de sua casa,numa localidade rural.A princípio pensaram tratar-se de algum bêbado, até sentiram um pouco de medo, mas depois, vendo que já ia anoitecer e ele continuava por ali, resolveram aproximar-se. Trouxeram-no para casa: todo arranhado e meio morto de fome e sede.Sem nenhum documento e sem nenhuma informação de quem era ou de onde vinha. Tiveram pena, e ficaram com ele em casa.Passou a fazer parte da família, mas de vez em quando diz que vai embora.Deve ser nos momentos raros em que lembra que tem família em algum lugar.Mas não sabe dizer pra onde quer ir,apenas quer sair sem rumo. Lembra de repente que tinha um apelido(Chico Caralho),a mãe se chamava Gerônima(ou Jerônima)e o pai Sales Caetano.Em Massapê ninguém soube dizer de alguém com as suas características que tenha desaparecido.Mas agora há novas informações(se forem verdadeiras).

Comentários

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Strange Fruit
( Poema de Lewis Allan, pseudônimo de Abel Meeropol, publicado em 1936.)

Southern trees bear strange fruit,
Blood on the leaves and blood at the root,
Black body swinging in the Southern breeze,
Strange fruit hanging from the poplar trees.

Pastoral scene of the gallant South,
The bulging eyes and the twisted mouth,
Scent of magnolia sweet and fresh,
Then the sudden smell of burning flesh!

Here is fruit for the crows to pluck,
For the rain to gather, for the wind to suck,
For the sun to rot, for the trees to drop,
Here is a strange and bitter crop.


Autismo. Filme francês"O cérebro de Hugo"

Riqueza Semântica

Um político que estava em plena campanha chegou a uma  cidadezinha, subiu em um caixote e começou seu discurso:

Compatriotas, companheiros, amigos! Nos encontramos aqui convocados,reunidos ou ajuntados para debater, tratar ou discutir um  tópico,tema ou assunto, o qual é transcendente,importante ou devida ou morte.. O tópico, tema ou assunto que hoje nos convoca, reúne ouajunta, é  minha postulação, aspiração ou candidatura à Prefeitura deste Município.

De repente, uma pessoa do público pergunta:

- Escute aqui, por  que o senhor utiliza sempre três palavras para dizer a mesma coisa?

O candidato responde

- Pois veja, meu senhor: A primeira palavra é para  pessoas com nível cultural muito alto, como poetas, escritores, filósofos etc.  A segunda é para pessoas com um nível cultural médio como o senhor e a maioria  dos que estão aqui. E a terceira palavra é para pessoas que têm um nível cultural muito baixo, pelo chão, digamos, como aquele bêbado ali jogado na  esquina.

De imediato, o bêbado …